domingo, 11 de junho de 2017

O frio

O frio entra sorrateiramente
Pelas frestas das portas e janelas
Pelas golas e mangas dos casacos
Pelas tramas das malhas e lãs
O frio congela lentamente
As pontas dos dedos e do nariz, arroxeados
As orelhas e os lábios, avermelhados
As mãos e os pés, anestesiados
O frio dissipa suavemente
Debaixo das cobertas
De frente à lareira
Depois da bebida quente
Mas se nem coberta nem bebida tem efeito
É que o frio vem da alma:
Permanece—para sempre—no peito

- Carolina Zanelli

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