sexta-feira, 23 de setembro de 2016

O monge e o mundano - A batalha da escolha

Sobre sexo, solitude e relacionamentos
" Este tem sido um dos maiores problemas através dos séculos: meditação e amor, solitude e relacionamento, sexo e silêncio. Somente os nomes são diferentes: o problema é um só. E, através dos séculos, o homem sofreu muito, porque o problema não foi compreendido corretamente - as pessoas escolheram.
Aqueles que escolheram o relacionamento são chamados de mundanos, e aqueles que escolheram a solitude são chamados de monges, os do outro mundo. Mas ambos sofrem, porque eles permanecem divididos e ser dividido é ser infeliz. Ser inteiro é ser saudável, feliz; ser inteiro é ser perfeito. Permanecer dividido é infeliz, porque a outra metade vai continuar sabotando, a outra metade vai continuar se preparando para se vingar. A outra metade não pode nunca ser destruída, porque ela é a sua outra metade. Ela é uma parte essencial de você; ela não é algo acidental que você possa descartar. É como uma montanha decidindo que "eu não terei vales ao meu redor". Ora, sem os vales, a montanha não pode existir. Os vales fazem parte do existir das montanhas: as montanhas não podem existir sem os vales. Eles são complementares, um ao outro. Se a montanha escolher existir sem vales, não existirá nenhuma montanha nunca mais. Se o vale escolher existir sem a montanha, não existirá nenhum vale tampouco - ou, você se tornará um simulador. A montanha fingirá que não existe nenhum vale, mas o vale está ali - você pode esconder o vale, você pode mergulhá-lo lá no fundo do inconsciente, mas ele permanece, ele persiste, ele é existencial; não há meios de destruí-lo. Na verdade, montanha/vale é uma coisa só. Assim, são o amor e a meditação; assim são o relacionamento e a solitude. A montanha da solitude só surge nos vales do relacionamento. Na verdade, você pode desfrutar a solitude somente se você puder desfrutar o relacionamento. É o relacionamento que cria a necessidade da solitude: trata-se de um ritmo.
Quando você entra num relacionamento profundo com alguém, surge uma grande necessidade de ficar sozinho. Você começa a sentir-se gasto, exausto, cansado - alegremente cansado, felizmente cansado, mas cada excitação é exaustiva. Foi tremendamente belo relacionar-se, mas agora você gostaria de entrar na solitude, de modo que você possa novamente integrar-se, de modo que você possa se tornar novamente transbordante, de modo que você possa novamente tornar-se enraizado no seu ser.
No amor, você entra no ser do outro, você perde contato consigo mesmo. Você fica afogado, bêbado. Agora, você precisará descobrir-se novamente.
Mas, quando você está sozinho, você está novamente criando necessidade de amor. Logo, logo, você estará tão pleno, que você gostaria de compartilhar, você estará tão transbordante, que gostaria de alguém em quem se jorrar, a quem possa se dar. O amor surge da solitude.
A solitude o torna transbordante. O amor recebe seus presentes. O amor o esvazia, de modo que você possa se tornar pleno novamente. Sempre que você é esvaziado por amor, a solitude surge para nutri-lo, para integrá-lo. E isso é um ritmo. Pensar nessas duas coisas como coisas separadas, tem sido uma estupidez, a mais perigosa estupidez, da qual o homem tem sofrido. Algumas pessoas se tornam mundanas - elas estão gastas, estão simplesmente exaustas, vazias. Elas não têm nenhum espaço delas mesmas. Elas não sabem quem são; nunca se encontram consigo mesmas. Vivem com os outros, vivem para os outros. Fazem parte de uma multidão; não são indivíduos. E, lembre-se: a vida de amor não será, para elas, de preenchimento - será meia vida. E nenhuma metade pode jamais ser um preenchimento. Somente o todo é preenchimento."
- Osho

Nenhum comentário:

Postar um comentário